domingo, 6 de junho de 2010

SAUDE PUBLICA,DE GERALDINHO VIEIRA

O porão não iluminado da saúde pública

Se é justo esperar que uma máquina nova não apresente problema, por que então uma criança fica doente?

A inquietude com esta questão fez a médica Vera Cordeiro, 59, descobrir que “a doença é na verdade o sintoma, pois a maior causa de doença em países em desenvolvimento é a miséria”. Mesmo nos melhores hospitais públicos, “o paciente é visto desde a perspectiva da doença, quer dizer, suas condições psicológicas e sociais são ignoradas”, diz Vera.

Ela é minha sexta convidada nesta série de breves diálogos com lideranças sociais para a série Eleições & Sociedade Civil.

Para ser ainda mais clara, Vera Cordeiro enfatiza: “Ao paciente abaixo da linha de pobreza não basta ser tratado como o rico é tratado, imaginando a melhor das hipóteses – a do pobre ser atendido por ótimos médicos e ter acesso a exames. O que, por exemplo, os ricos procuram nos tratamentos milenares? Os ricos também querem ser vistos como seres humanos por trás das doenças, porque suas condições de vida igualmente se tornaram insalubres, é verdade que por outras razões.”

Graduada pela UFRJ e com um ano em especialização em Nefrologia pelo Hospital São Francisco de Assis (RJ), Vera Cordeiro é nacional e internacionalmente uma das mais reconhecidas empreendedoras sociais. Fundadora e superintendente da Associação Saúde Criança, ela muitas vezes define a missão de seu trabalho com uma expressão de dar dor: “retirar pessoas da condição de miseráveis para lhes permitir a condição de pobres”.

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